Quando Cronos foi destronado e acorrentado nas entranhas do monte Tártaro,
ninguém mais voltou a pensar nele. Mas todos sabiam, no fundo de seus
corações, que cedo ou tarde ele conseguiria desfazer-se de suas correntes e
buscaria vingança. Este dia chegou.
Quando pensávamos que a saga Age
já tinha dito a que veio e suas novas versões não fariam mais do que seguir
tirando proveito do sucesso obtido nos últimos anos sem chegar a oferecer
nada de especialmente novo, chegou Age of Mythology para acabar com as
dúvidas. Descobrimos com ele que a galera da Ensemble Studios não perdeu sua
capacidade para continuar a transformar cada nova edição de sua saga mais
famosa em um êxito de vendas e de crítica. Eles encontraram na mitologia o
caminho ideal para seguir mesclando as batalhas no estilo medieval e aos
poucos dar-lhe um ar fantástico pleno de magia, bestas com poderes
sobrenaturais e heróis.
Depois disso, a única pergunta que sobrava
era o que viria na expansão do jogo, já que todo mundo tinha certeza de que
apareceria uma. Bem, podemos abandonar as dúvidas. Com a expansão The Titans
o que se fez foi incluir uma nova mitologia às já existentes no jogo
original, oferecendo assim um punhado de novos monstros, criaturas,
construções e unidades com as quais se pode jogar.
Essa nova mitologia, não obstante, não é
como as incluídas no jogo original (grega, egípcia e nórdica). É como se não
tivessem encontrado nada suficientemente interessante na mitologia de alguma
das outras culturas que já povoaram a terra ao longo da história e, então,
tivessem criado uma tirando-a da manga.
Os Atlantes, ainda que aqui tratados como
uma nova mitologia, não passam de reaproveitamento da riqueza religiosa dos
gregos, já que todos os deuses desta suposta mitologia baseada nos
habitantes da Atlântida foram tirados dos gregos. De fato, com essa
expansão, se poderia estar até inventando um novo episódio dentro da própria
mitologia grega.
Inclusive é uma combinação de deuses
bastante curiosa, já que os três principais são Gaia, Cronos e Urano. Para
aqueles que não sabem muito, basta dizer que um episódio da mitologia grega
conta como Cronos fez uso de uma foice para cortar os genitais de Urano e
atirá-los ao mar. Além desses três deuses principais, também temos outros
nove menores, entre os quais se incluem, por exemplo, Prometeu, Atlas ou
Helios. Estes também foram tirados da mitologia grega, o que não deixa de
ser engraçado, já que o importante é que Titans tem igual (ou talvez mais)
carisma que qualquer das outras mitologias da versão original. Fizeram uma
boa escolha.
Quanto aos poderes divinos, com esta
expansão teremos acesso a doze novos, além de quinze unidades humanas novas
e mais dez unidades míticas, algumas realmente fantásticas.
Como é normal, ao incluir uma nova
mitologia também se criou uma nova campanha, na qual nos dedicaremos
principalmente a glorificar os deuses que veneramos construindo templos,
destruindo os de outros deuses e ampliando seu culto por todo o mundo
conhecido.
Poderíamos dedicar um pouco do tempo para
falar da parte gráfica e relatar as delícias do engine 3D do jogo ou falar
do som infestado de melodias e efeitos sonoros, mas seria repetir tudo que
se diz analisando o jogo em si: segue sendo tão bom quanto o original.
E aos desavisados, já vamos avisando: esta
não é uma expansão stand alone, ou seja, é necessário ter o jogo original
instalado. E se você é um fã de Age of Mythology, não pode perder a
oportunidade de encarar esta expansão, com a qual poderá desfrutar de uma
nova mitologia e tudo o que ela traz. Seu corpo pede um aperitivo antes de
se lançar a um novo jogo de estratégia? Você não vai encontrar outro canapé
tão suculento.
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