fonte: uol.com.br
Uma das heranças mais valiosas do 3DO, da Panasonic, foi "Need
for Speed". O videogame da Panasonic não teve vida das mais longas, mas a
série de corridas, enfrentando altos e baixo, continua firme e forte até os
dias atuais.
É bem verdade que após a terceira versão, "Hot Pursuit", houve um declínio
considerável na qualidade, mas em 2003, com a chegada de "Underground", que
pegou uma bela carona na onda do tuning, "Need for Speed" ressurgiu das
cinzas. No ano passado, veio "Underground 2" que, embora interessante, não
conseguiu repetir o sucesso do antecessor.
Mostrando ter aprendido com os erros do passado, a Electronic Arts resolveu
não tentar empurrar um "Underground 3" goela abaixo dos jogadores, mudando
novamente (um pouco) os ares da série. Na verdade, a produtora reuniu tuning
e perseguições policiais e deu vida a "Need for Speed Most Wanted"
(literalmente "O Mais Procurado", em português).
Você na lista negra
Por mais que seja quase inútil esperar por um enredo genial em um jogo de
corrida, temos que admitir que "Need for Speed Most Wanted" se esforça. No
modo carreira, você assume o papel de um personagem sem nome ou mesmo rosto
em busca de fama e glória na fictícia cidade de Rockport.
Após ter contato com o pessoal chegado nos rachas e ficar sabendo que uma
espécie de "lista negra" dos ases no volante é que dita os acontecimentos,
você descobre que a principal pedra no seu caminho atende pelo apelido de
Razor, um sujeito com poucos escrúpulos. O objetivo, como era de se esperar,
é chegar ao topo da lista negra, liderada justamente por Razor, que não
pensa duas vezes antes de sabotá-lo. E a história é contada com várias
animações entre uma corrida e outra.
Sim, "Need for Speed Most Wanted" lembra um típico filme de Hollywood. É a
versão com enredo mais consistente de toda a série, tanto que os personagens
têm nome, estilo e personalidade. Um deles é a bela Mia, interpretada pela
atriz e modelo Josie Maran, que tem em seu currículo atuações em filmes como
"O Aviador" e "Thelma".
Você sabe: games e mulheres são uma combinação das mais explosivas. Não com
pouca freqüência, Mia o ajudará a se inteirar dentro do universo das
corridas ilegais de Rockport, inclinando-se sensualmente na janela do seu
veículo, com sorrisinhos maliciosos, roupas curtas e tudo mais.
Para quem já jogou algum dos "Need for Speed Underground", o funcionamento
do modo carreira não será novidade. Rockport é dividida em diversos bairros
e, com sua caranga, você deve circular por eles à procura de desafios,
afinal, não é tarefa das mais fáceis atingir o topo da "black list",
conseguindo reputação, reconhecimento e respeito perante os outros
competidores.
A cada posição alcançada na lista negra, novos fatos se desenrolam e carros
mais possantes são liberados, bem como opções de tuning. Porém, para
habilitar-se a desafiar o piloto da lista negra que está logo à sua frente,
é preciso atender alguns requisitos específicos, como ter um determinado
número de vitórias ou de quilometragem em perseguições policiais, por
exemplo. Dessa maneira, se avança pelo modo carreira, mas não sem participar
também de corridas secundárias para ganhar algum dinheiro extra.
Aliás, embora o tuning agora divida as atenções com as perseguições
policiais em "Need for Speed Most Wanted", a arte de personalizar veículos
continua sendo de extrema importância. Como de costume, as máquinas de
Mitsubishi, Ford, BMW Audi e cia. podem ser alteradas centenas de peças
originais.
Corra que a polícia vem aí
Decididamente a melhor parte do jogo são as já citadas perseguições
policiais. Esqueça os absurdos vistos em "Hot Pursuit 2" e prepare-se para
ter um punhado de viaturas na sua cola e, caso ofereça resistência, até
mesmo helicópteros e outros obstáculos.
Na verdade, digamos que a intensidade de perseguição varia de acordo com o
seu nível de "periculosidade". No nível mais baixo, é preciso dar conta de
algumas viaturas, mas lá pelo quinto a coisa começa a ficar bem complicada:
além dos já citados helicópteros, os tiras aparecem com carros melhores,
bloqueios e até mesmo aquelas correntes de espinhos que mandam os seus pneus
para o espaço.
Como já visto em "Hot Pursuit", para se desvencilhar é preciso despistar os
policiais para se livrar deles. Existe um medidor que se esvai aos poucos
logo quando os policiais o perdem de vista; caso ele esvazie completamente,
você estará livre. Agora, se os tiras levarem a melhor e conseguirem
pará-lo, você simplesmente vai preso.
Ok, não é um sistema exatamente fantástico e inovador, mas não é que acaba
servindo muito bem? Como você deve ter notado, o clima "ilícito" de "Need
for Speed Most Wanted" é dos maiores, até mesmo na modalidade "speed trap",
na qual ganha aquele que passar por radares e câmeras na maior velocidade
possível. Ademais, as modalidades restantes do modo Carreira envolvem
corridas convencionais, algumas já bastantes conhecidas em "Underground".
Uma novidade do jogo é o "Speed Breaker", um efeito bullet time que permite
controlar o veículo com extrema precisão por alguns segundos. O recurso,
visualmente falando, é bem legal, mas para falar a verdade, no calor da
corrida não serve para muita coisa. Há ainda o "Pursuit Breaker", momentos
em que o jogador pode destruir elementos dos ambientes para despistar os
adversários e deixar as perseguições ainda mais cinematográficas - para
citar um exemplo, colidir com um posto de gasolina, levando tudo pelos ares.
Além do modo carreira, há o Free Roam, que na verdade coloca você em meio à
cidade, com liberdade para ir e vir, além de aceitar desafios que são
divulgados pelo rádio; já no Blacklist, o objetivo é vencer 15 competidores,
um a um, completando uma série de desafios e eventos; o Cop Pursuit e o
Bounty enfocam as fugas e perseguições; e, naturalmente, o bom e velho Quick
Race também marca presença.
No PC, o multiplayer via rede local ou internet aceita até quatro
participantes, enquanto no Xbox e Xbox 360, a Live, rede online dos
consoles, aceita o mesmo número de pilotos virtuais. No PlayStation 2 e no
GameCube, a diversão multiplayer se limita a dois jogadores no mesmo
console, por tela dividida.
No Brasil, a versão para PC de "Need for Speed Most Wanted" é a "Black
Edition", que traz alguns extras: dois carros (Camaro 67 e BMW M3 GTR), oito
bólidos especialmente modificados, além de corridas, vinis e um desafio de
perseguição exclusivos.
Visual cinematográfico
Em "Need for Speed Most Wanted", a série de corridas parece ter alcançado a
maturidade visual - é bom registrar que a versão para PlayStation 2 não
apresenta gráficos tão bons quanto as demais. Conforme se atinge velocidades
altas, gradualmente um efeito "blur" vai tomando conta da tela, envolvendo o
jogador com maestria no clima.
Além disso, embora a variedade de bólidos não seja das mais generosas - são
30, no total -, eles estão muito bem diferenciados entre si. Claro que,
nesse ponto, os efeitos da física contribuam muito para que o jogador sinta
as nuances que envolvem dirigir cada veículo.
Some-se a isso os fantásticos efeitos de partículas e os reflexos
apuradíssimos e temos um considerável avanço em relação às versões
anteriores. Para completar, ainda falando sobre física, as pistas têm vários
objetos com colisões perfeitamente animadas e que podem até servir de
obstáculos para atrasar os policiais, por exemplo.
A trilha sonora adquiriu uma importância maior, uma vez que as músicas e
efeitos são muitas vezes sincronizados de acordo com o momento - adaptados
aos movimentos do jogador, ela acompanha a intensidade de uma perseguição,
por exemplo. Além de canções originais, há também as licenciadas, de bandas
como Jamiroquai e Disturbed.
Embora a inteligência artificial dos policiais não seja necessariamente
brilhante (mas eles ainda assim surpreendem em algumas situações, com
verdadeiras táticas de perseguição), tampouco a idéia das perseguições
policiais seja original, "Need for Speed Most Wanted" conseguiu a difícil
tarefa de suceder com sucesso uma série que já é tradição quando se fala em
games de corrida. O impacto não é igual ao de "Underground", mas, se é
diversão de qualidade o que importa, o jogo vale muito a pena.
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